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Ocupação organizada no Remanso desafia Prefeitura; presidente do bairro nega ordem judicial e culpa Caixa


A ocupação do terreno no bairro do Remanso, alvo de ação de reapropriação da Prefeitura nesta sexta-feira (31), não é espontânea nem desorganizada. Quem coordena o movimento é José Maria, presidente da associação do bairro, que desafia publicamente a administração municipal e convida abertamente mais ocupantes para o local.

A tensão reflete uma frustração de anos: promessas habitacionais não cumpridas. Segundo José Maria, o terreno deveria ter casas há muito tempo.

“Em 2024, a Prefeitura veio aqui e anunciou a construção de 100 casas nesse local. Até hoje não saiu nenhuma. Depois voltaram e disseram que tinha um projeto de 48 casas. Também não saiu nada”, afirmou, questionando o atraso reiterado.

Culpa apontada à Caixa

Para o presidente do bairro, a responsabilidade não recai sobre a gestão municipal. “A gente sabe que isso aí é um problema da Caixa Econômica Federal, que não libera esse projeto”, declarou, apontando a instituição financeira como obstáculo ao cumprimento dos compromissos.

Negação da ordem judicial

José Maria também nega a existência da ordem judicial que fundamenta a ação da Prefeitura, contestando a justificativa dada pela administração de que não há pessoas morando regularmente no terreno.

“O secretário disse que não tem ninguém morando aqui. Para morar não precisa de energia não. Água aqui tem bem pertinho. O pessoal está morando sim no local”, afirmou, descrevendo condições precárias mas efetivas de ocupação.

Contexto de demanda habitacional

A ocupação ocorre em um contexto de déficit habitacional em Cruzeiro do Sul. O terreno do Remanso, público, tornou-se alvo tanto de projetos da Prefeitura quanto de famílias em busca de moradia. O conflito coloca em questão não apenas o uso do solo, mas também a responsabilidade pelas promessas de habitação social não concretizadas.

A ação de reapropriação desta sexta-feira intensifica uma disputa que, segundo os ocupantes, reflete anos de espera e frustração.

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